Deus sabe quevocê existe?

Crença e Fé

O Universo possui bilhões de galáxias. Você ocupa uma parte quase invisível dele. Mesmo assim, o cristianismo apresenta uma afirmação extraordinária: o Deus que criou tudo conhece sua existência.

CONTEÚDO ORIGINAL MENTE FORJADA12 min de leituraCiência · Filosofia · Cristianismo
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Jovem diante da imensidão do Universo em uma leitura do Mente Forjada sobre Deus

Olhe para a sua mão.

Pare por alguns segundos e olhe para a sua mão.

Talvez você veja apenas pele, unhas, algumas linhas e uma cicatriz que já nem lembra como surgiu. Parece algo comum. Você a vê todos os dias. Usa para trabalhar, segurar o celular, abrir uma porta, abraçar alguém. Quase nunca para para pensar nela.

Mas, por baixo dessa aparência simples, existe um mundo inteiro em movimento.

O sangue percorre caminhos que você nunca viu. Nervos carregam sinais que você não percebe. Músculos, tendões e ossos respondem à sua vontade. Milhões de células trabalham neste exato momento para que você consiga realizar um movimento aparentemente insignificante: fechar os dedos.

Você não ordenou conscientemente que cada célula fizesse sua parte.

Não precisou aprender a fazer o sangue circular.

Não passou a madrugada lembrando seu coração de continuar batendo.

Enquanto você dormia, seu corpo permaneceu trabalhando.

Agora olhe novamente para a sua mão.

Ela não é apenas parte do seu corpo. Carrega uma história muito mais antiga do que você.

O carbono presente em suas células, o oxigênio que circula em seu sangue e o ferro que ajuda a manter você vivo foram produzidos por gerações de estrelas que existiram muito antes do nascimento da Terra.

Parte da matéria que hoje forma seu corpo atravessou uma história cósmica antes que alguém conhecesse seu rosto.

Isso significa que você não apenas vive dentro do Universo.

Você é feito de elementos que carregam a história dele.

Mas existe algo em você que torna tudo ainda mais estranho.

Uma estrela não sabe que brilha.

Uma montanha não sabe que existe.

O oceano não contempla a própria profundidade.

Mas você consegue olhar para o céu, pensar sobre aquilo que está vendo e perguntar:

Por quê?

Por que existe um Universo?

Por que ele possui leis?

Por que existe vida?

E por que, entre toda a matéria conhecida, existe uma parte capaz de sentir amor, carregar medo, recordar o passado e procurar um sentido para o futuro?

Por meio de você, uma pequena parte do Universo tornou-se capaz de olhar para o restante dele e fazer perguntas.

E talvez nenhuma pergunta seja maior do que esta: por que eu existo?

Talvez você estivesse ocupado demais tentando sobreviver.

Talvez você tenha passado anos evitando essa pergunta.

Não por covardia. Talvez estivesse ocupado demais tentando sobreviver.

Contas. Trabalho. Responsabilidades. Problemas dentro de casa. Preocupações que ninguém conhece. A vida raramente pede licença para nos deixar pensar sobre sua origem.

Ainda assim, em alguns momentos, a pergunta retorna.

Ela aparece quando você olha para um céu cheio de estrelas.

Quando alguém que ama nasce.

Quando alguém que ama morre.

Quando uma noite difícil parece longa demais.

Ou quando você percebe, por alguns segundos, que está vivo — e que um dia não estará mais aqui.

Nesses momentos, as distrações perdem força. E aquilo que parecia distante se torna pessoal.

Será que minha existência é apenas um acidente?

Existe alguém por trás de tudo isso?

Talvez você acredite em Deus desde criança.

Talvez tenha se afastado depois de sofrer, se decepcionar ou fazer perguntas que ninguém soube responder.

Talvez ainda ore, mas algumas vezes termine a oração com a sensação de que suas palavras não passaram do teto.

Ou talvez considere toda religião uma criação humana e esteja aqui apenas por curiosidade.

Não importa de onde você está começando.

Por alguns minutos, não finja acreditar. Também não finja ter certeza de que Deus não existe.

Apenas siga a pergunta.

Volte a história do Universo.

Antes de existir você, precisavam existir seus pais.

Antes deles, uma sequência quase incalculável de vidas precisou continuar sem ser interrompida.

Antes de qualquer ser humano, precisava existir um planeta capaz de sustentar vida.

Antes da Terra, uma estrela.

Antes das estrelas, matéria, energia, espaço e tempo.

E antes de tudo isso?

Imagine que pudéssemos assistir à história do Universo ao contrário.

As cidades desapareceriam. As florestas recuariam. Os continentes mudariam de forma. A Terra deixaria de existir. O Sol ainda não teria se acendido. As estrelas retornariam à matéria da qual se formaram. As galáxias se aproximariam cada vez mais.

Continuaríamos voltando.

Mais um pouco.

E mais um pouco.

Até alcançar um ponto em que nossas imagens comuns começam a falhar.

Não imagine uma explosão acontecendo em algum canto de um espaço vazio. No modelo do Big Bang, não havia um palco imenso esperando o Universo aparecer dentro dele. O próprio espaço faz parte da história que estamos tentando compreender.

Também não imagine um relógio contando os segundos antes do começo. O tempo, tal como o conhecemos, está ligado ao próprio Universo.

Não havia uma sala escura esperando alguém acender a luz.

A sala ainda não existia.

Representação da origem do Universo, da matéria, do espaço e do tempo
Antes da matéria, do espaço e do tempo

É difícil pensar nisso porque tudo o que conhecemos está dentro do espaço e acontece no tempo. Nossa mente procura automaticamente um lugar anterior e um momento anterior.

Mas, quando perguntamos sobre a origem do próprio espaço e do próprio tempo, encontramos algo que desafia nossa experiência.

Se o Universo teve um começo, o que tornou esse começo possível?

O nada absoluto não possui energia.

Não carrega leis.

Não faz escolhas.

Não cria coisa alguma.

Aquilo que não existe não pode decidir começar a existir.

Então por que existe alguma coisa?

Ciência e Deus não precisam disputar o mesmo lugar.

O Big Bang não escreve a palavra “Deus” no céu. A ciência consegue investigar a expansão do Universo, sua história e as marcas de seu passado. Mas Deus, se criou o espaço, não seria um objeto escondido em algum lugar dentro dele.

Se está na origem da matéria, não seria apenas mais uma partícula.

Se o tempo pertence à criação, Deus não dependeria de um relógio para existir.

Isso significa que a ciência e Deus não precisam disputar o mesmo lugar.

Descobrir como uma estrela funciona não elimina seu Criador. Explicar como a luz viaja não responde por que existe uma realidade com leis capazes de produzir luz.

Quanto mais compreendemos o funcionamento do Universo, mais profunda pode se tornar a pergunta sobre sua origem.

Talvez você responda que tudo aconteceu por acaso.

Mas o acaso não é uma coisa capaz de criar. É uma palavra que usamos quando um resultado não foi planejado ou quando não conhecemos todas as causas.

Chamar a existência de acaso não explica por que existe uma realidade na qual acontecimentos podem ocorrer.

Talvez o Universo simplesmente exista e não haja qualquer explicação além dele.

Essa possibilidade não pode ser descartada com uma frase. Mas exige aceitar que o maior fato de todos — a existência de tudo — não possui uma razão mais profunda.

Outra possibilidade

Talvez o Universo exista porque foi desejado. Talvez as leis da natureza não sejam rivais de Deus, mas expressão da ordem que Ele estabeleceu.

Talvez sua existência não seja um acidente desconhecido pelo Criador.

E é aqui que a pergunta deixa de ser apenas científica.

Ela chega até você.

A pergunta agora é pessoal.

Mesmo que você aceite a existência de uma inteligência por trás do Universo, uma dúvida ainda permanece:

Essa inteligência sabe que você existe?

Ela conhece aquilo que você nunca contou a ninguém?

Viu as vezes em que você precisou parecer forte enquanto desmoronava por dentro?

Conhece suas perdas, seus erros, sua raiva e o medo que aparece quando tudo fica em silêncio?

Diante de bilhões de galáxias, o que representa uma única vida humana?

O que representa a sua vida?

Homem com camisa Mente Forjada refletindo dentro do carro em uma noite de chuva
Nas noites mais silenciosas, a pergunta retorna

Criar um Universo já seria algo além da nossa compreensão. Criar tudo isso e ainda conhecer cada ser humano parece uma afirmação quase absurda.

E é exatamente essa a afirmação do cristianismo.

O cristianismo não diz apenas que existe uma força, energia ou inteligência distante que colocou o Universo em funcionamento e depois desapareceu.

Afirma que o fundamento de toda a realidade possui vontade, inteligência e caráter.

Afirma que o Criador conhece sua criação.

E vai ainda mais longe: afirma que esse Criador entrou nela.

Não como imperador.

Não cercado por soldados.

Não ocupando um palácio.

Mas como um homem.

O imenso e o aparentemente insignificante.

Um antigo salmo apresenta Deus contando as estrelas e chamando cada uma pelo nome.

Pense na imagem.

Enquanto você olha para o céu e não consegue contar nem mesmo os pontos de luz que seus olhos alcançam, Deus conhece cada um.

Mas a Bíblia não para na imensidão.

Séculos depois, Jesus aproxima essa mesma grandeza de uma única pessoa. Ele afirma que até os fios de cabelo de sua cabeça são conhecidos por Deus.

Estrelas.Fios de cabelo.

O imenso e o aparentemente insignificante dentro do mesmo conhecimento.

Jesus não utilizou a grandeza do Pai para fazer você se sentir pequeno demais para ser percebido.

Fez o contrário.

Falou sobre aves que parecem comuns e disse que nenhuma delas está esquecida diante de Deus. Depois, olhou para seres humanos cercados por medo e afirmou que eles possuíam muito mais valor.

Isso responde algo essencial.

Deus não precisa escolher entre sustentar galáxias e conhecer sua dor.

Nós escolhemos onde colocar nossa atenção porque somos limitados. Enquanto ouvimos uma pessoa, deixamos de ouvir outra. Enquanto cuidamos de um problema, milhares permanecem fora do nosso alcance.

Deus, se é realmente Deus, não possui nossa limitação.

Sua grandeza não diminui sua atenção.

É justamente por ser infinito que Ele pode conhecer o imenso sem ignorar o pequeno.

Pode sustentar uma estrela e ouvir uma oração.

Pode conhecer a história humana e enxergar a noite em que você não conseguiu dormir.

Pode governar a criação sem perder você de vista no meio da multidão.

Homem com camisa Mente Forjada contempla a imensidão da Via Láctea
Pequeno diante do Universo. Nunca invisível para Deus.

A afirmação mais ousada do cristianismo.

Aqui o cristianismo apresenta sua afirmação mais ousada.

O Deus que existia antes do tempo aceitou entrar no tempo.

O Criador do espaço ocupou um lugar.

O autor da matéria assumiu um corpo.

Respirou o ar que criou.

Bebeu água.

Sentiu fome.

Sentiu cansaço.

Chorou diante da morte de alguém que amava.

O Deus que ninguém poderia alcançar veio ao encontro do ser humano.

Seu nome era Jesus.

Representação de Jesus Cristo olhando com serenidade e compaixão para o leitor
O Criador não permaneceu distante

Se isso for apenas uma história, ainda estaremos diante de uma das narrativas mais influentes já produzidas pela humanidade.

Mas, se for verdade, Jesus não é apenas um personagem do passado.

É a resposta de Deus para quem pergunta se Ele permaneceu distante.

Cristo é a afirmação de que o Criador não apenas conhece você de longe.

Ele conhece a experiência humana por dentro.

Conhece a rejeição.

Conhece a injustiça.

Conhece a dor.

Conhece o medo diante da morte.

E conhece seu nome.

Olhe novamente para a sua mão.

Talvez você tenha começado esta leitura olhando para a própria mão.

Agora olhe novamente.

Ela continua parecendo a mesma. Mas talvez já não seja apenas pele, linhas e cicatrizes.

Ela é parte de um corpo formado por elementos antigos, sustentado por leis que você não criou e mantido vivo por processos que continuam mesmo quando você dorme.

Você não escolheu nascer.

Não construiu o Universo que receberia você.

Não acendeu o Sol.

Não ensinou seu coração a bater.

Você recebeu a existência antes de fazer qualquer coisa para merecê-la.

E talvez tenha passado a vida inteira tentando provar que possui valor, sem perceber que seu valor veio antes de suas conquistas.

Para o cristianismo, você não vale porque venceu.

Não vale porque nunca errou.

Não vale porque outras pessoas reconheceram sua importância.

Você possui valor porque foi conhecido e desejado por Deus.

Talvez você ainda tenha dúvidas.

Tudo bem.

Fé não precisa nascer da obrigação de fingir certeza. Pode começar com a coragem de dirigir uma pergunta sincera a Deus.

Se não souber orar, não procure palavras bonitas.

Diga apenas:

Uma oração simples
“Deus, se o Senhor realmente me conhece, ajude-me a conhecer o Senhor.”

Talvez nada extraordinário aconteça no mesmo instante.

Talvez o quarto continue silencioso. Talvez seus problemas permaneçam esperando por você.

Mas silêncio não significa necessariamente ausência.

Durante bilhões de anos, a luz atravessou o Universo antes que existissem seus olhos para recebê-la.

Deus pode ter estado mais perto do que você imaginava antes mesmo de começar a procurá-lo.

Você é pequeno diante do Universo.

Mas, se Jesus falou a verdade, nunca foi pequeno demais para ser visto por Deus.

O Deus que sustenta galáxias sabe que você existe.

Sabe onde você está.

Sabe o que carrega.

E talvez, enquanto você pensava estar procurando por Ele, tenha percebido algo ainda maior:

Ele já estava procurando por você.

Referências

Referências científicas

Referências filosóficas

Referências bíblicas centrais

  • Salmo 147:4 — Deus conhece e chama as estrelas pelo nome.
  • Mateus 10:29–31 e Lucas 12:6–7 — Jesus ensina que nenhuma pessoa está esquecida diante de Deus.
  • João 1:1–14 — o Verbo que estava no princípio entra na criação e assume a condição humana.

Autoria e direitos autorais

Autoria: Jeff Bennett — Mente Forjada.
© Jeff Bennett — Mente Forjada. Todos os direitos reservados ao texto deste artigo. Reprodução ou republicação sujeita à autorização do titular, ressalvados os usos permitidos por lei.

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