São Paulo voltou a viver um alerta hídrico sério. Os principais sistemas que abastecem a região metropolitana registram queda acelerada nos volumes, enquanto as chuvas seguem abaixo da média justamente nas áreas de mananciais. Em algumas cidades, como São Caetano, já há racionamento noturno para tentar segurar o abastecimento. E o governo trabalha com a possibilidade de restrições mais longas, que podem chegar a 16 horas por dia em cenários extremos. A combinação desses fatores reacende a memória da crise de 2014–2015, quando a falta de chuva e a queda dos reservatórios se transformaram em um colapso que afetou milhões de pessoas. O desenho de 2025, em vários pontos, é parecido: estiagem prolongada, mananciais descendo rápido e pressão crescente sobre um sistema que atende a uma das maiores concentrações urbanas da América Latina. Mas há diferenças importantes entre as duas épocas. Hoje o estado opera com um sistema mais integrado, com maior capacidade de transferência de água entre regiões e planos de contingência já ativados. Essa estrutura fornece uma margem de resposta que não existia dez anos atrás, quando as medidas só chegaram depois de meses de deterioração. O problema é que os desafios também ficaram maiores. A dependência de mananciais superficiais continua elevada, as perdas na rede seguem altas e a expansão urbana avança sobre áreas estratégicas de proteção. Esses fatores estruturais deixam o abastecimento vulnerável sempre que o regime de chuva falha. E 2025 falhou: choveu menos, choveu tarde e choveu de forma irregular.









