Sua imagem tornou-se uma das mais reproduzidas do planeta. Mas quem foi Ernesto "Che" Guevara além da fotografia que atravessou gerações?
Ao longo deste documentário você acompanhará sua trajetória desde a juventude na Argentina, passando pela Revolução Cubana, sua atuação política, suas expedições internacionais e o debate histórico sobre seu legado.
INICIAR DOCUMENTÁRIOToda figura histórica nasce como uma pessoa comum. Antes do uniforme militar. Antes da barba. Antes da fotografia que se tornaria uma das imagens mais reproduzidas do século XX. Existia apenas Ernesto Guevara de la Serna.
Ernesto Guevara de la Serna nasceu em Rosário, Argentina. Filho de Ernesto Guevara Lynch e Celia de la Serna, cresceu em uma família de classe média com forte incentivo à leitura, à cultura e ao debate político.
Durante praticamente toda a infância conviveu com crises severas de asma. Mesmo enfrentando limitações físicas, manteve interesse por esportes, literatura e viagens.
Ainda jovem, Ernesto Guevara demonstrava interesse por literatura, história, filosofia e política. Apesar das frequentes crises de asma, mantinha uma rotina de estudos intensa e gostava de desafios físicos sempre que sua saúde permitia.
Em 1947 ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires. Seu objetivo inicial era tornar-se médico. Naquele momento, nada indicava que anos depois ele participaria de uma das revoluções mais conhecidas do século XX.
"A curiosidade em compreender a realidade latino-americana começou antes da revolução."
Durante esse período, Guevara ampliou seu interesse por questões sociais, viajando por diferentes regiões da Argentina. Segundo seus diários e biografias, essas experiências despertaram um olhar cada vez mais atento para desigualdades econômicas e políticas que observava durante suas viagens.
Em janeiro de 1952, Ernesto Guevara e seu amigo Alberto Granado partiram em uma longa viagem de motocicleta pela América do Sul. O objetivo inicial era conhecer o continente. A experiência, porém, acabaria influenciando profundamente sua maneira de interpretar a realidade latino-americana.
Ao longo da viagem, Guevara visitou pequenas cidades, minas, fazendas e hospitais. Também conheceu comunidades indígenas e pacientes com hanseníase, experiências descritas posteriormente em seus diários. Segundo seus relatos, essas observações fortaleceram sua percepção sobre desigualdades sociais existentes em diferentes países do continente.
Diversos biógrafos consideram essa jornada um ponto de inflexão. Embora suas ideias políticas ainda estivessem em formação, o próprio Guevara escreveu posteriormente que a viagem ampliou sua visão sobre os problemas enfrentados por diferentes populações da América Latina.
Após concluir seus estudos, Ernesto Guevara continuou viajando pela América Latina. Em 1954, chegou à Guatemala, onde acompanhou de perto um período de intensa instabilidade política. A derrubada do governo de Jacobo Árbenz, apoiada por setores internos e pelos Estados Unidos, marcou profundamente sua visão sobre política internacional e reforçou sua convicção de que mudanças estruturais exigiam uma ação revolucionária.
Depois de deixar a Guatemala, Guevara estabeleceu-se no México. Foi ali que conheceu Fidel Castro e outros integrantes do Movimento 26 de Julho, grupo que preparava uma expedição para derrubar o governo de Fulgencio Batista em Cuba.
Segundo relatos dos próprios participantes, as conversas entre Guevara e Fidel se estenderam por horas. Pouco tempo depois, Guevara decidiu integrar a expedição inicialmente como médico, embora posteriormente também assumisse funções militares.
Na década de 1950, Cuba era governada por Fulgencio Batista. Seu governo é descrito por muitos historiadores como autoritário, marcado por censura, corrupção e repressão a opositores. Ao mesmo tempo, estudiosos ressaltam que o período também apresentava indicadores econômicos relativamente elevados em comparação com parte da América Latina. Esse contexto ajuda a explicar tanto o apoio quanto a oposição que o movimento revolucionário encontrou na sociedade cubana.
Na madrugada de 2 de dezembro de 1956, o iate Granma chegou ao litoral de Cuba após partir do México transportando 82 homens. O plano previa um desembarque rápido e coordenado, mas diversos fatores dificultaram a operação. O excesso de peso da embarcação, problemas de navegação e o atraso durante a viagem fizeram com que o grupo chegasse em condições diferentes das planejadas.
Poucos dias depois, forças do governo de Fulgencio Batista localizaram os revolucionários. O grupo foi surpreendido e sofreu pesadas baixas. Grande parte dos combatentes morreu, foi presa ou acabou dispersa. Apenas um pequeno número conseguiu escapar e se reunir novamente nas montanhas da Sierra Maestra.